Comentários, palpites e divagações


Do fundo do Baú

Hoje, eu li na Net uma resenha bem desanimadora acerca (nesse site http://musica.uol.com.br/ultnot/2008/11/12/ult89u9851.jhtm) do Chinese Democracy, o novo disco do Axl Rose com uns caras aí que, por ter o Axl Rose, continuou-se a chamar Guns n’ Roses.

Eu ainda não escutei o disco, mas não duvido dessa resenha. Ela conta que o disco é exagerado na produção e que as novas composições são fracas. Definitivamente, não duvido disso. E dou três razões.

A primeira é a mais óbvia. Axl Rose mais uns caras aí não é Guns n’ Roses. Da mesma forma, se o Paul McCartney chamasse três mequetrefes, por melhor que sejam eles, não seria os Beatles. Assim como o Fab Four é Jonh, Paul, George e Ringo – e até o Ringo! –, Guns é Axl, Slash, Duff e Izzy para tocar e, principalmente, para compor.

A segunda é o tempo> De quando é os Use Your Illusion, ótimos discos do Guns com clássicos como November Rain, Estranged e Don’t Cry? De 1991. Axl tinha entre 28 e 29 anos. Quase vinte anos depois, Axl lança um disco que passa longe da tradição rocker do velho Guns. Axl tem 46 anos e parece ter perdido o bonde da história. O principal adjetivo atribuído ao disco é “datado”. Alguém que ainda ache nu metal moderno precisa voltar logo para a cápsula em que esteve enterrado.

A terceira é a decepção. Este disco era aguardado ansiosamente e qualquer novidade sobre ele era exaustivamente divulgada (tanto que ouço falar dele desde quando eu lia a Showbizz e lá vão mais de dez anos) Bem, forma dezessete anos de espera. Nesse tempo, aqueles que, como eu, conheceram o Guns na adolescência cresceram e conheceram coisas novas. Os que eram moleques naquela época foram adolescentes ouvindo o nu metal, essa modernidade que Axl descobriu, mas também cresceram. Restam os adolescentes de agora, a quem o Guns é coisa do começo dos anos 90 que os primos mais velhos ou, até, os pais curtiam. É esse o público que Axl vai ter que conquistar. Difícil com o Chinese Democracy? Tudo bem. Qualquer compilação bem feita pode dar um jeito nisso, ainda que fique o gosto de flashback. Mas Axl de qualidade, a julgar pelo novo disco e pela pífia apresentação no Rock in Rio de 2001, só assim.



Escrito por Francisco Libânio (Chico) às 23h00
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Tirinha atrasada

Tudo é questão de saber conversar e saber convencer.

 Boa sexta com o Dr. Pepper

 



Escrito por Francisco Libânio (Chico) às 13h14
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Dieguito Vuelve

Maradona é o novo técnico da seleção argentina depois da demissão de Alfio Basille. A escolha, que dá margem a muitas piadas prontas, é uma decisão muito mais de coração do que de razão. Mas pode dar certo.

Isso é óbvio. Maradona nunca foi técnico embora seja um ícone dos hermanos. Permite-se, até uma comparação com nosso dublê de técnico Dunga. Com uma diferença. Como jogador, ainda que argentino, Maradona foi infinitamente melhor. E pára por ai.

Tal qual Dunga, Maradona é um raso que foi alçado a general, ou seja. Sem nunca ter sido técnico, está comandando, simplesmente, a seleção argentina, bicampeã mundial e sempre favorita a títulos quando está na disputa. Isso é perigosíssimo.

Como no Brasil, o futebol na Argentina mexe com emoções. Derrotas seguidas, vitórias no casco, tudo isso cerra os punhos da torcida. Não basta vencer. Tem que vencer bonito. Basille, na ronda de sua demissão, venceu o arqui-rival Uruguai e perdeu para o Chile. Caiu fora. Dunga goleou a Venezuela, mas empatou com a Colômbia num jogo medonho. Ou seja, vitória, seja graúda ou mínima, não dá camisa se logo depois vier uma paulada ou ela terminar iminente.

Outra semelhança entre os dois. Maradona e Dunga ergueram Copas para seus países e isso cravou seus nomes no panteão dos campeões. Maradona é ídolo na Argentina, mas sempre foi o rebelde, o anti-herói e isso lhe custou muito dentro do esporte. Dunga é o bom menino da CBF e da FIFA, por isso foi chamado técnico ao invés do estrelismo de Luxemburgo e da turrice de Muricy Ramalho, homens muito mais gabaritados. No comando da seleção, sabiamente, começou a cortar privilégios da mídia. Ademais, Maradona, na Argentina, é rei, é regente e é deus. No Brasil, Dunga é um capitão dentre cinco que tiveram a honra de erguer taças.

Como será Maradona como técnico é a grande pergunta sedenta de uma resposta. Eliminatórias só em março do ano que vem. Haverá amistosos antes disso, mas eles não são prova a altura. Maradona pode ser como Klinsmann e levar a Argentina às portas de um título lutando bravamente por ele e perdendo com dignidade, mas também pode ser como Donadoni e levar sua equipe a pique. Se tiver, no entanto, os números que o combalido e combatido Dunga tiver a frente da seleção, será considerado dono de um ótimo trabalho. E pelo bem da Argentina, que é uma grande seleção, como pelo sucesso de Maradona, a quem todos querem ver bem lembrando do jogador irreverente e não de suas desventuras com as drogas, a torcida é grande. O futebol merece e precisa de sangue novo. Mesmo que seja num alto posto.

Toda sorte ao pibe.o, como pelo sucesso de Maradona, a quem todos querem ver bem lembrando do jogador irreverente e não de suas desventuras com as drogas, a torcida é grande. O futebol merece e precisa de sangue novo. Mesmo que seja num alto posto.

Toda sorte ao pibe.



Escrito por Francisco Libânio (Chico) às 20h32
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Momento VA

Eu tava procurando palavras pra comentar ISSO. Procura que procura e só achei duas!

Vergonha Alheia!

 

Tirado do Jacaré banguela (www.jacarebanguela.com.br)



Escrito por Francisco Libânio (Chico) às 17h05
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Uma tarde com o poeta das coisas

Conheci MÁRIO QUINTANA através de um ex-namorado de uma prima minha. Uma vez, num sarau que minha família promoveu em que cada um podia ler algum poema ou fazer qualquer coisa que lhe apetecesse, o rapaz, de origem gaúcha e recém inserido na família, resolveu recitar um poema do seu conterrâneo. Não me lembro qual era, mas gostei do que ouvi. Nesse tempo, eu devia ter uns dezessete, dezoito anos e já adorava as aulas de literatura, mas nunca tínhamos falado sobre Quintana nelas. O poeta já tinha tangenciado meu universo. Não fazia muito que ele tinha falecido e eu já tinha ouvido em algum lugar o simpático Poeminho do Contra e o singelo Bilhete.

Uma vez, bem depois disso, andando pela extinta Livraria Nobel encontrei o Baú de Espantos a um preço camarada e comprei-o. Posso dizer que lendo Mário Quintana deixei de escrever sonetos e escrevi outras coisas, poemas curtos, hai-kais, quadras. Quintana é de uma simplicidade maravilhosa ao escrever. Sempre que pude, desde então, passei a procurar seus livros. Como Prudente é uma cidade onde cultura significa qualquer coisa que saia da terra, a livraria fechou e fiquei tolhido de ter próximo qualquer livro.

Mais recentemente ainda, comprei, sendo parte de uma coleção da Folha de São Paulo (como jornal cada dia mais patética, mas com ótimas promoções no tocante a literatura, música e artes) o livro A Vaca e o Hipogrifo em que Quintana escreve crônicas rápidas, poemas curtos, mas intensos e muito divertidos. Um deles me chamou a atenção. Chama-se A Chave.

 

Os nunca assaz finados parnasianos tinha, antes de mais nada, a chave de ouro. Como o resto do soneto era tapado como uma porta – por que não mostravam apenas o raio da chave? Não estou brincando. Pois nos meus tempos de ginasiano eu também fabriquei minha chave de ouro:

“... de uns verdes buritis a cismadora tribo”.

Confesso que não consegui colocar nada antes desse verso. Hoje acho que não seria preciso, que ali já estaria todo um poema...

Em todo caso, cedo em cartório a chave aos últimos sonetistas alexandrinos, a quem muito venero, pois no caos de hoje em dia eles têm consciência de que, para fazer um poema, é preciso trabalhar como um escravo. Com a única recompensa do trabalho feito. Vamos, minha gente? Faltam apenas treze versos.

 

Ao ler essa crônica pensei seriamente em completar isso. Não da forma que ele imaginava, mas da forma que interpretei. Uma chave solta no chão não serve pra fechar algo, uma vez que não estou preso, mas para abrir uma porta de onde podem sair os piores monstros como as melhores ninfas. Dessa forma, tentei escrever algo com o fim sendo o começo. Por quê?

Porque por mais que tenha tentado, não consegui colocar a frase no fim. Teria de imaginar tudo pra encerrar com Quintana, na sua juventude, hein? Não o primoroso poeta que foi na maturidade.

E porque é muito estranho, pra mim, ter que bolar algo pra encaixar um fim. Muito mais interessante é trabalhar a partir de algo dado. Senão fica igual o cara que, numa partida de futebol, dribla o time adversário inteiro pedalando, fintando e tomando chute na canela pra, na cara de gol, ter que passar pro banheira. Não que Quintana seja o banheira, ele é o centroavante clássico e elegante que dribla e faz o gol. Mas acho interessante ter Quintana como o começo. E também porque, mais do que uma simples verso e um desafio tentador, me deu a deixa pra uma homenagem como verão a seguir:

  

A Chave de Quintana

 

“De uns verdes buritis a cismadora tribo”

Eis de Quintana um soneto inacabado

Numa crônica e que me pôs desafiado

E que diante de tal paro não me inibo

 

Não? Mentira! Rimá-lo é demasiado

Difícil. Ante a esta terminação coíbo

A criatividade. Antes de dar o recibo

De pedante, estudo com cuidado

 

As rimas. Rimados, vamos ao tema

De buritis e tribos. Não! O verso

Será o mote do nosso poema.

 

Nosso, sim. Quintana escreveu o começo

E fez o desafio. Cumpro-o e exerço

O dever de exaltar ao poeta o apreço.

 

Francisco Libânio

28/10/08

3:54 PM

 

Ainda pensarei num poema todo para encerrá-lo com esse verso árcade. Por hora, gostei do que escrevi. Se não ficou exatamente bom, valeu pela homenagem e pelo desafio.



Escrito por Francisco Libânio (Chico) às 16h51
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O apequenamento de uma Nação

Quando a série B começou em maio, dois sentimentos distintos inflaram os fãs mais ardorosos do futebol. De um lado estava a imensa maioria secadora do Corinthians ávidos pelo insucesso do time da Zona Leste, do outro, óbvio, estava a imensa massa corintiana que encarava cada jogo como um passo na escalada pra sair do inferno onde a equipe foi parar por incompetência própria. Se caiu por incompetência, deveria ser competente o bastante pra subir.

Durante o trajeto, a equipe se viu numa final de Copa do Brasil e almejou, mesmo no andar de baixo, a vaga para a América pelo caminho mais curto. O sonho acabou e o time ficou com o vice-campeonato. Nada mais justo, afinal absurdo seria uma equipe da série B bater uma da série A, por menor que ela fosse.

Os seis meses na Série B foram árduos. A competição, que sempre teve um nível mais elevado e prometia o mesmo pra esse ano (afinal disputavam equipes tradicionais como Bahia, Fortaleza, Ponte Preta e Paraná e potências emergente como Barueri), não se concretizou. A tradição dos adversários se viu tolhida pela eterna falta de planejamento e a histórica bagunça e falta de dinheiro e os outros adversários eram marcados mais pelo amadorismo. Assim tivemos um Corinthians muito mais forte que a média dos concorrentes. Houve tropeços, empates inesperados e derrotas (querer ser campeão com 100% de aproveitamento só mesmo na cabeça dos mais fundamentalistas). Ainda assim, o Corinthians disputava um torneio à parte. Era mais que óbvio que mais cedo ou mais tarde a vaga para a elite seria garantida com o time em primeiro lugar e muito a frente dos demais.

Pois bem, ontem com seis rodadas de antecipação, o Corinthians conseguiu garantir matematicamente sua vaga pra elite e, muito provavelmente, o título da Série B. Ao descer as cortinas da 32ª rodada, o time conta com 70 pontos contra 59 do segundo colocado, o Avaí. Há, ainda, mais dezoito pontos em disputas, mas é difícil imaginar que o time catarinense consiga tirar essa diferença.

E aí chegamos ao ponto. A festa feita num Pacaembu lotado numa partida com ares de decisão de Mundial e a comemoração que seguiu era simplesmente por conta de um acesso. Um acesso da Série B pra Série A. Algo que era favas contadas, cristalina e que até o mais ignorante sobre futebol, aquele que estranha o fato do Zico não estar sendo mais escalado, sabia que ia acontecer.

E mereceu comemoração digna de título!

Aí vem, junto com o acesso pra Série A, a queda na realidade de alguém que gosta de futebol e se desnuda das piadas habituais. Estamos falando do Corinthians, campeão brasileiro por quatro vezes, multicampeão paulista e com um título mundial mandraque, mas que tem seu valor. Um time que disputou com razoável sucesso algumas Libertadores, mesmo jamais tendo ganho uma. É desse time que estamos falando, não do Piraporinha Futebol Clube. Ver a segunda maior torcida do Brasil comemorando um acesso com essa pompa só serve pra provar que o Corinthians se apequenou. Pior é lançar em debate a homenagem a esse título, que cogitou ser digna de uma estrela no uniforme. É claro que o torneio tem importância histórica, merece ser lembrado pela forma heróica com o qual foi disputado, mas nem o Grêmio, que disputou – também – a Série B protagonizando um dos jogos mais emocionantes da história do futebol fez da promoção óbvia algo pra ficar lembrando. Um jogo teve mais importância que o torneio todo. A Série B serviu para o Corinthians como prova de que, no futebol, os pecados cometidos em campo se pagam em campo. A remissão merece ser lembrada, sim, mas jamais com todo esse confete. Seria melhor guardá-lo caso o time conquiste algo importante. A Série B contou com o Corinthians por um ano, mas não é sua dona. E, a menos que o time da Zona Leste mostre tamanho fervor com coisa tão básica, jamais será.

 

Chega de falar sério! Bora zuar. Pelo menos GIGANTE, ele escreveu certo. Podia meter um J.



Escrito por Francisco Libânio (Chico) às 10h28
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